Os dados oceanográficos

Temperaturas de superfície do oceano em 14 de Dezembro de 2006. Imagem obtida no site do Space Science Engineering Center (SSEC).

A variedade de dados sobre o oceano é, hoje em dia, abundante e disponível na internet. Os dados que a seguir apresento são, na minha opinião, os melhores para se estudar a variabilidade das temperaturas de superfície do oceano.
Os ficheiros principais são os provenientes do United Kingdom Met. Office (UKMO), obtido a partir do British Atmospheric Data Center (BADC) e o ficheiro de Kaplan et al. (1998).

The Global Ocean Surface Temperature Atlas (GOSTAPlus)


As temperaturas de superfície do oceano (TSO) do UKMO (Bottomley et al., 1990) foram extraídas da base de dados MOHSST6 (Folland e Parker, 1995; Rayner et al., 1996). Estes dados contêm mapas de temperaturas de superfície do oceano (anomalias mensais e médias), temperaturas marinhas durante a noite (anomalias e médias) e cobertura gelada do oceano, em que os dados estão dispostos em mapas de resolução de 5ºlat.x5ºlong. Os dados vêm expressos em anomalias mensais (*100) relativas ao período 1961-1990. Cada mapa representa um mês em que a referida resolução se traduz em 2592 observações ou variáveis (72 pontos por longitude multiplicado por 36 pontos em latitude), estando a janela global compreendida entre 180W-180E e 90N-90S, muito embora nas latitudes mais elevadas não haja registo de temperaturas. Há dados disponíveis para um período que se inicia em 1856 até à actualidade. Os dados são actualizados com regularidade e os do mês anterior estão, geralmente, disponíveis logo na primeira quinzena do mês seguinte. As maiores densidades de observações registam-se entre as latitudes de 60N e 40S e, principalmente nos anos mais recentes. A densidade no século XIX é muito reduzida e aumenta bruscamente na viragem para o século XX. No entanto é a partir de 1941 que a densidade é elevada e as falhas de dados são reduzidas ao mínimo (Parker et al., 1994), sendo este o período em que os dados são mais fiáveis e em que as diferenças nos instrumentos de medida quase não se fazem notar, em virtude de correcções que esta base de dados foi sofrendo ao longo das diferentes versões (Folland e Parker, 1995).
Para a região do Atlântico Norte, por exemplo, podem ser retirados do MOHSST6 os dados entre as longitudes 102.5W e 27.5E e as latitudes de 17.5N e 67.5N . No entanto, há um elevado número de falhas no século XIX. O melhor período para análise de dados é o que corresponde à segunda metade do Século XX, o período com menor número de falhas e em que o ficheiro é construído com uma elevada densidade de pontos, em particular para a região do Atlântico Norte.

O ficheiro de temperaturas de superfície do oceano de Kaplan et al (1998)



Este ficheiro foi retirado do servidor de FTP do CDC e está disponível numa grelha de 5ºLat.x 5º Long. a partir de 1856 e actualizado regularmente. Este ficheiro foi produzido a partir da versão anterior do MOHSST6 (ou seja o MOHSST5) da base de dados GOSTA do UK Meteorological Office. Para colmatar as falhas de dados, o ficheiro MOHSST foi submetido a vários procedimentos que consistiram em diferentes tipos de interpolações e outras técnicas estatísticas baseadas na projecção de modos ortogonais (EOF’s) como está descrito em Kaplan et al. (1998). Estas técnicas permitiram a colmatação de falhas de dados usando os padrões espaciais extraídos dos dados existentes conjuntamente com uma interpolação temporal. Os dados na grelha de 5ºx5º são anomalias relativamente ao período 1951-1980. É um ficheiro, que por ter uma boa cobertura espacial sem falhas, é correntemente utilizado, em especial nos trabalhos que incidem na região tropical do Pacífico, caracterizada por uma acentuada carência de dados. Está neste caso, por exemplo, o trabalho de Moron e Gouirand (2003).

Bibliografia

Bottomley M., C. K. Folland, J. Hsiung, R. E. Newell, and D. E. Parker, (1990) – Global ocean surface temperature atlas “GOSTA”. Meteorological Office, Bracknell, UK and the Department of Earth, Atmospheric and Planetary Sciences, Massachusetts Institute of Technology, Cambridge, MA, USA. 20 pp and 313 plates.

Folland, C.K.; Parker, D.E. (1995) – Correction of instrumental biases in historical sea surface temperatures data. Journal of Meteorological Society, 121: 319-368.

Kaplan, A.; Cane, M.A.; Kushnir, Y.; Clement, A.C.; Blumenthal, M.B.; Rajagopalan, B. (1998) – Analyses of global sea surface temperature 1856-1991. Journal of Geophysical Research, 103: 18567-18589.

Moron, V.; Gouirand, I. (2003) – Seasonal modulation of the El Niño-Southern Oscillation relationship with sea level pressure anomalies over the North Atlantic in October-March 1873-1996. International Journal of Climatology, 23: 143-155.

Parker, D.E., Jones, P.D., Folland, C.K., Bevan, A. (1994) – Interdecadal changes of surface temperatures since the late nineteenth century. Journal of Geophysical Research, 99: 14373-14399.

Rayner, N.A., Horton, E.B., Parker, D.E., Folland,C.K., e Hackett, R.B. (1996) – Version 2.2 of the Global sea-Ice and Sea Surface Temperature data set, 1903-1994. CRTN 74, Hadley Centre, Met Office, Bracknell, UK.
PTG

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